terça-feira, 31 de maio de 2011

Medo


Parei pra pensar e percebi que tenho medo de te perder
Mas de te perder dentro de mim
Essa sim seria a maior perca.
Tenho medo de te deixar ir
Medo de não me importar mais se...
Você está se alimentando bem, dormindo cedo, se está cansado ou
se bebeu muito refrigerante hoje.
Tenho medo de não esperar mais pela hora de te ver ou
quem sabe só falar com você.
Tenho medo de não vê-lo mais como meu príncipe.
Tenho medo da sua voz não ser mais música pra mim
Medo de não me importar com suas críticas em relação a mim.
Tenho medo de você parecer igual a qualquer outro
Medo do meu coração bater normalmente na sua presença
Tenho medo de não sentir mais ciúmes de você.
Medo de não fazer diferença, te ver ou não.
Tenho medo da sua vida não representar mais nada pra mim, além do que já foi.
Tenho medo de não lembrar com saudades
Medo de não querer mais
Tenho medo de você passar
Tenho medo de te trocar
Tenho medo de não te amar...
Porque só aí eu entenderei que de fato, acabou!

Carol Berto,
Escrevo, logo existo!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Minha vida sem Deus

Outro dia me surpreendi me perguntando como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus. Em termos positivos, quis saber a respeito da função de Deus em minha vida (já sei, você vai dizer que reduzi deus a uma coisa e estabeleci com ele uma relação mecânica e funcional, mas deixa pra lá, você vai ver que não é isso, só estou usando a melhor palavra que achei). O primeiro impulso foi na direção da questão ética: Deus é minha matriz de certo e errado, bem e mal. Há muita coisa que faço e deixo de fazer na vida por acreditar que Deus é um padrão a ser seguido ou obedecido, não necessariamente por causa de Deus em si, mas a bem de quem o obedece ou segue: algo como seguir as orientações de um manual de instruções – você pode fazer do seu jeito, mas a coisa não vai funcionar, e o resultado não é que o manual vai ficar triste ou bravo com você, mas que a coisa não vai funcionar mesmo. Logo depois desta conclusão rápida, me pareceu óbvio que Deus não seria a única alternativa para que eu tivesse uma orientação ética: os ateus e agnósticos também têm sua ética. O passo seguinte foi imaginar que outra função Deus ocuparia em minha vida além da referência ética.

Provavelmente você afirmaria o óbvio: Deus é aquele que cuida de mim, me protege, provê para o meu bem e minha felicidade. Embora eu acredite nisso, na verdade, não me basta, pois a vida está cheia de acontecimentos que me induziriam a acreditar exatamente o contrário. Caso eu dissesse a um cético que Deus é como um pai, mas um pai todo-poderoso que cuida de mim, certamente eu seria bombardeado de perguntas. Como disse Robert De Niro: “Se Deus existe, ele tem muito o que explicar”. Além disso, estar sob o cuidado de um superprotetor não é a razão porque acredito em Deus: de fato, abro mão de ser protegido – minha solidariedade com a raça humana não me permite esperar melhor sorte do que a das crianças abandonadas, dos enfermos crônicos, dos miseráveis e vitimados pelas atrocidades dos maus. Ou Deus protege todo mundo, ou a proteção não serve como fundamento para a crença nele. A idéia de um ser lá em cima fazendo e acontecendo aqui em baixo, como um mestre enxadrista que faz dos seres humanos peças num tabuleiro cósmico nunca me agradou. Mas mesmo assim, acredito nisso: sou daqueles que acredita que Deus está no controle do universo e da história. O que quero dizer é que não acredito em deus como se as coisas que acontecem ou deixam de acontecer fossem resultado de decisões divinas, do tipo: vou dar este emprego pra ele? vou curar esta criança? vou dar este câncer de mama para ela? vou fazer com que eles se casem?, e assim por diante, como se Deus fosse uma máquina de decisões que não para nunca e afeta tudo quanto existe em tudo quanto é lugar em relação a todo mundo.
A maneira como percebo Deus é mais ou menos como percebo o sol: ele simplesmente está lá. Acredito em Deus mais ou menos assim: Deus está, ou se preferir, Deus é. Assim como o sol irradia seu calor sem cessar, também Deus afeta tudo em todo lugar em relação a todo mundo. O sol não precisa tomar decisões: ele simplesmente está lá. Assim também em relação a Deus.
É verdade que nem todas as pessoas e nem todos os lugares são afetados pelo sol, e também que as pessoas e lugares que são afetados pelo sol experimentam o sol de maneira diferente e com conseqüências as mais variadas. Mas não por causa do sol. O sol está sempre lá e é sempre do mesmo jeito. O que muda é a realidade sobre a qual o sol incide: se a pessoa está à sombra é afetada de um jeito, se está descoberta é afetada de outro; o fruto do topo da árvore é afetado de um jeito, escondido entre as folhas, de outra; a água do lago é afetada de um jeito, empoçada, de outro; uma planta em boa terra e irrigada é afetada de um jeito, em solo ruim e seca, de outro. O sol está sempre lá e do mesmo jeito, aqui embaixo é que as coisas são diferentes.
Assim também em relação a Deus. Ele é, e sempre do mesmo jeito, as condições que lhe são dadas é que mudam: uma criança sozinha na rua e outra num ambiente familiar de afeto e amor; um homem que aproveitou bem suas oportunidades de estudo e formação profissional e outro que não teve a mesma sorte; alguém com uma doença congênita e outra pessoa com propensão atlética; a periferia do Haiti e o condomínio na Califórnia. Deus é, e sempre o mesmo, fluindo de maneira plena e equânime sobre tudo e todos, em todo tempo e lugar. As realidades sob sua influência é que são distintas. Por esta razão as conseqüências de sua influência são diversas e jamais podem ser padronizadas.
Já imagino o que você está pensando. Você acha que acabei de tirar a dimensão pessoal de Deus, e passei a tratar Deus como uma força ou uma energia. Faz sentido, mas tenho uma saída. A diferença entre Deus e uma força ou energia é que as forças e energias não afetam dimensões pessoais. Por exemplo, não é possível prescrever 30 minutos de banho de sol para adquirir capacidade de perdoar, 20 minutos de banho de chuva para se livrar do vício de mentir, ou 45 minutos de banho de luz para se encher de compaixão. Essas coisas: amor, perdão, misericórdia, justiça, solidariedade, pureza de coração, alegria e saudades são atributos pessoais, relativos a seres conscientes, auto-conscientes, com capacidades afetivas-emocionais, intelectuais e racionais, e volitivas. Por esta razão, o sol é apenas uma metáfora – incompleta, como toda metáfora – para Deus.
Deus não é uma energia ou uma força impessoal, mas o Ser–em–Si, fundamento pessoal de toda a realidade existente. Como disse São Paulo, apóstolo: em Deus somos, nos movemos e existimos.
Dallas Willard me ajudou muito a compreender isso quando afirmou que a principal maneira como somos afetados por Deus é através de “pensamentos e sentimentos que são nossos, mas não tiveram origem em nós”. Esta é minha experiência de Deus. Continuo acreditando que Deus está no controle de tudo, é livre para tomar decisões e afetar a realidade conforme sua vontade, cuida de mim e de todo mundo, faz e acontece na história e nas minhas circunstâncias, dispões de pessoas para a vida e para a morte, e o que mais você quiser ou considerar necessário atribuir como capacidade e direito a alguém que seja chamado Deus, afinal, por definição, Deus é incondicionado e ilimitado. Mas todas estas coisas atribuídas a Deus me são imponderáveis e inacessíveis. O que me afeta de fato é que crendo em Deus e conscientemente me submetendo a Ele, experimento pensamentos e sentimentos que são meus, mas não têm origem em mim. Sou levado a um estado de ser ao qual jamais conseguiria chegar sozinho. Deus é meu interlocutor amoroso. Deus é meu companheiro de viagem.
O que acontece fora de mim, se Deus faz ou deixa de fazer, se foi ele quem fez ou deixou de fazer, não me diz respeito, minha razão não alcança, e, portanto, não é objeto de minha preocupação para caminhar pela vida. Mas o que acontece dentro de mim, isso sim, é tudo quanto eu tenho e me basta. Tudo quanto tenho para orientar a minha peregrinação existencial são sentimentos e pensamentos que são meus, muitos deles que não tiveram origem em mim. Isso é questão de fé. E essa é a minha fé: estou sob Deus, suplicante e humildemente dependente de seu amor para me tornar tudo quanto estou destinado a ser, independente do que me possa acontecer.
A mim me basta saber que em pastos verdejantes às margens de águas puras e cristalinas, ou no vale da sombra da morte, nada preciso temer, pois Deus está comigo, refrigerando-me a alma, guindo-me pelos caminhos da justiça por amor do seu nome. A mim me basta saber que se Deus é por mim, ninguém pode ser contra mim, pois nada pode me separar do amor de Cristo: nem tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada, pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Não sei como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus. Muito menos se Deus não acreditasse em mim. E nem quero saber.


(Ed René Kivitz)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Caiu, levanta!

Quando eu era pequena e caia, minha mãe dizia assim:
"Caiu, levanta!" Ou "caiu, levanta pra cair de novo!"
Ao longo da vida a gente vai se dando conta de que algumas frases da infância, como essa por exemplo podem ser utilizadas em outras ocasiões.
E no meu caso é exatamente isso.
Eu cai, levantei, cai de novo, levantei tantas vezes.
Mas certamente é só o começo.
Não tem problema!
A gente só aprende que não pode subir em algum lugar, se a gente cair de lá.
E ainda assim, voltamos a subir e a cair novamente.
No meu caso não. Sempre fui medrosa. Sempre.
Mas não quando se trata de sentimentos.
Nunca tive medo de arriscar.
Já quebrei a cara ou cai algumas vezes e levantei, como disse.
Mas nunca fui paralisada pelo medo, pela incerteza.
Hoje cai de novo.
No mesmo erro? Há quem diga que sim!
Eu já não encaro desta forma.
Se algo é importante pra mim, julgo necessário lutar por ele.
E se de repente eu já caí de lá, posso tentar subir novamente pra ver se desta vez eu não caio.
Caso queira muito.
Mas infelizmente muitos não pensam assim.
Ou felizmente. Eles evitam a queda, que não há como negar.
É dolorosa.
Não posso garantir que nunca mais subirei de onde caí.
Ainda é valioso pra mim!
Mas posso garantir que ou eu subirei e não cairei mais.
Ou eu aprenderei que é alto demais.

Carol Berto.
Escrevo, logo existo!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Senhor, não permita que eu perca a visão.
Antes que isto possa acontecer me chame pelo nome e me ensine por onde é o caminho.
Eu andarei por ele!
Porque eu pertenço a Ti!

Carol Berto,
Escrevo, logo existo!

Tempo de paz!


Percebo que certezas são necessárias.
Nunca precisei tanto disso. Talvez tenha sido sempre o meu erro.
Ou não. Quem sabe se eu exigisse sempre certezas, não seria eu.
Não seria como fui.
Não seria como sou.
Gosto de ser quem sou.
Sei que preciso mudar, crescer, mas gosto de mim.
Há 11 dias sinto saudades de mim.
Nunca pensei antes de agir, nunca fui tão racional, tão sensata.
Meu jeito intenso, emocional sempre fizeram muitas diferenças na minha vida!
Sei que é necessário dosar.
"Não ser nem tanto nem tão pouco."
"Mas tenho me assustado diante do espelho".
Tenho medo de ter envelhecido 20 anos em 2 semanas.
Tenho medo de não me doar.
Tenho medo de não falar mais com os olhos.
Tenho medo de perder as minhas expressões faciais quando algo me deixa triste ou feliz!
Tenho medo de viver me defendendo!
Quero poder viver livre, em paz e feliz!
Nunca procurei tanto a paz quanto agora.
Nunca quis tanto receber mais do que dar.
Não por egoísmo, mas por entender que é necessário.
Há tempo para tudo!
E eu quero viver isso. Preciso viver isso!
Não quero guerras, lágrimas, incertezas, desamor!
Não agora, não mais!
Sei que posso, sei que devo me permitir!
Estou aberta para paz (para o amor que traz paz), estou aqui!
Não pode haver condenação para isso!
Não há!
Então eu viverei!

Carol Berto,
Escrevo logo existo!


sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que realmente queremos!


Triste como a gente acredita amar alguém durante tanto tempo e diante de algumas coisas entendemos que o que realmente amávamos era a nossa idéia de como aquela pessoa era, a ilusão de como queríamos que ela fosse e a vontade que temos de que ela nos ame também!

Sei que parece desanimador, mas (em muitos casos) é a realidade nua e crua. E infelizmente na maioria das vezes também só nos damos conta disso, quando já é tarde!

Quando já estamos decepcionados, frustrados, magoados, arrependidos. Experimentando todo e qualquer tipo de sentimento que se pudéssemos escolher, certamente não sentiríamos. Certamente não escolheríamos!

A verdade é que amamos ser amado e não necessariamente alguém que nos ame. Amamos nos sentir especial, querido, protegido, cuidado (no caso principalmente de nós, mulheres). Amamos elogios, presentes, lembranças, bilhetes (no espelho ou no papel), passeio de mãos dadas, maçãs do rosto rosadas, risadas e acredite! Até lágrimas. Apaixonadas, claro!

Infelizmente (outra vez), na maioria das vezes, não sabemos entender que na verdade é isso que gostamos, que curtimos, que nos faz bem, saudável emocionalmente e felizes! Mas insistimos em idealizar alguém que faça todas essas coisas, ou a metade delas e no meio da história e/ou relação começamos a aceitar que a pessoa faça menos que a metade destas coisas, duas coisas apenas, uma... Nada! (Porque estamos anestesiadas com a idéia de ser ele e não estas coisas que nos fazem bem).

E então mais uma vez nos negamos, nos privamos, nos enganamos, adoecemos até que um dia possamos compreender o que realmente queremos! O que realmente nos faz bem! (Ou não. Existem pessoas que levam uma vida toda não entendendo ou preferindo negar tudo isso também). E quando compreendemos, é porque já estamos feridos demais ou já estamos arrependidos demais!

Uma pena! Eu, honestamente, lamento demais tudo isso! As coisas e pessoas poderiam ser bem mais simples e um pouco mais inteligentes!

Lamento mais ainda por fazer parte deste grupo!

Carol Berto,
Escrevo, logo existo!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Desculpe!


Não é que eu queira voltar no tempo, não!
Não é que eu queira revirar um passado, não!
Não é que eu queira me aventurar em tornar lembranças de um passado belo em qualquer outra coisa que possa acontecer, não!
Não é que eu queira trazer a tona arrependimentos de escolhas, não!
Não há mais tempo para isso!
Não é que eu queira tornar aquele passado bem distante, já quase esquecido (mas não em mim, nem em você) em presente.
As escolhas já foram feitas a muito tempo.
Quando ainda era possível fazê-las.
Agora é tarde!
Desculpe! Eu não conseguia enxergar o futuro!
Desculpe! Você tentou me impedir, mas... Estava vislumbrada!
Desculpe ter arriscado e colocado a perder tudo o que havíamos construído (em nós).
Desculpe não ter enxergado o quanto nos fazíamos bem!
Desculpe por ter ido!
Desculpe pelo sofrimento que lhe causei!
Desculpe por me ver sofrer a conseqüência desta escolha!
Desculpe por ter tornado nossos mundos tão distantes a ponto de não podermos mais!

Apenas algo não morreu e não morrerá, não foi destruído e nem será...
As nossas lembranças serão eternizadas em mim! Quanto a isso não há condenação!
Eu guardo o melhor de você! Eu guardo você mim!

Carol Berto,
Escrevo, logo existo!