Temos tanto de nossa família, nossos parentes ou pessoas afins...
Você tem tanto de sua avó. O jeito como ela se pintava para sair, quando nova, é o mesmo que o seu.
Você tem tanto do seu avô. Ele sempre gostou tanto de queijo com goiabada e essa é a sobremesa que você mais gosta.
Você tem tanto de sua tia do meio por parte de mãe. O jeito como ela mexe a boca quando está nervosa é espantosamente igual ao seu.
Ah! E aquela sua tia mais velha por parte de pai? Gosta tanto de falar quanto você.
E sua prima, filha daquele tio caçula por parte de mãe? Sempre foi ótima aluna em português, assim como você.
Tem também aquele primo, que sempre foi péssimo em matemática e química. Não é possível que se pareçam tanto.
Não esqueça daquela tia avó muito simpática que você só viu duas ou três vezes na vida, mas que sua mãe vive comparando a forma de vocês duas gritarem.
Seu primo de terceiro grau, nunca suportou velório. Como você puxo a ele hein! Impressionante!
Sua irmãzinha mais nova dorme de bruços igualzinha a você quando tinha a idade dela.
E seu irmão? Incrível a forma dele rir. A boca entorta para um lado, idêntico a você.
Sua mãe é tão ansiosa quanto você. Qualquer dia as duas vão ser obrigadas a fazer uma terapia.
Seu pai tem uma mania de deixar sempre o restinho de qualquer bebida no copo. Nunca vi parecer tanto!
Até sua vizinha. Ah! Mas ela também já é praticamente da família né? Não se sabe se foi a convivência ou se foi por osmose, mas a forma como vocês falam e as palavras que usam, parecem a mesma pessoa. Sem contar a voz no telefone... Enganam qualquer um.
Ainda podemos dizer que temos nossa singularidade?
Carol Berto
Escrevo, logo existo!